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Casamentos superam separações

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NATAN LIRA
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em 2015 mostrou que no decorrer dos anos o número de casais separados aumentou em Mogi das Cruzes. Já o número de pessoas que formalizam a união manteve-se em alta, movimentando cartórios e a indústria do casamento.

Naquele ano, 1024 deixaram de viver juntos. Em 2011 foram cerca de mil casos, enquanto em 2010, 741 se separaram. No entanto, o número de pessoas que procuraram a justiça m de formalizar a separação, o chamado divórcio, representa cerca de 10% deste montante. Em 2016 e 2017, segundo a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais, o número na Cidade figurou, em média, para 12 divórcios por mês.

Já o número de casamentos naquele ano foi significativo: 3.791 casais disseram o sim à instituição social que resiste às mudanças comportamentais.

Para o sociólogo Américo Rodrigues de Almeida Neto, o número de divórcios tem ligação com o empoderamento da mulher e as demais mudanças sociais. “Uma lei pode estimular um comportamento a partir do momento em que ela regulamenta alguma coisa, mas este não é o caso do divórcio. O que aconteceu foi uma facilidade e isso não induz ao divórcio, isso acontece quando existe o interesse em terminar uma relação”, conta.

Neto destaca que o casamento no Brasil não pode ser considerado uma instituição falida e sim que ele está passando por mudanças, sobretudo devido à mudança no papel da mulher, que hoje pode trilhar caminhos diferentes do que o “normal” para as décadas de 1950, por exemplo. “Émile Durkheim (sociólogo francês), dizia que o casamento é uma instituição social e assim ele também passa por mudanças. Hoje em dia, por exemplo, o casamento não é uma ferramenta para se ter uma vida sexual ativa. Desde os momentos da contracultura, a sexualidade recebe novos olhares e a gente pode conferir isso nas letras das músicas de hoje”, conta.

O casamento para no mundo jovem

Lucas e Melissa vão se casar este mês em Mogi. (Foto: Divulgação)

Lucas e Melissa vão se casar este mês em Mogi. (Foto: Divulgação)

O Diário decidiu contar a história dos noivos mais novos que se preparam para se casar em Mogi das Cruzes. O caminho foi a lista publicada pelo cartório com a identidade dos casais que entregaram recentemente os documentos a fim de se casar. Encontramos Lucas Yudi Tanque, de 22 anos, que em 20 de julho será oficialmente o esposo de Melissa Gomes Valensuelo, de 19 anos. Os dois se conheceram em um domingo de 2013 durante o evento chamado Piquenique Otaku no Parque Centenário. A iniciativa partiu de Lucas, que a chamou para conversar. Ela aceitou o convite mas pontuou que já namorava. Os dois continuaram amigos. Ela terminou o relacionamento, ele já namorava à época, até que, em 1º de novembro de 2015, os dois então solteiros marcaram para assistir um show em São Paulo. Ali começou o namoro. Em agosto último evoluiu para um noivado e será um casamento em 20 de julho, apenas com a cerimônia no civil e um pequeno almoço para celebrar a data. Isso porque o casal está juntando as economias para morar no Japão.

Como foi o namoro?
Lucas: Tivemos bastante brigas e revolta dos parentes. Muitos altos e baixos, mas tudo isso contribuiu para aumentar a nossa força, porque colocou o nosso sentimento a prova. A minha mãe não gostava muito que eu tivesse relacionamentos, mas com o tempo ela veio conhecer os meus pais, ela teve algumas brigas com a minha mãe.



Melissa: Foi um pouco turbulento, porque a mãe do Lucas tinha bastante receio de que ele namorasse, ela não queria que ele saísse da casa, mas apesar de ter sido um empecilho no começo, eu mostrei para ele o meu sentimento e isso não conseguiu abalar a gente.

E a ideia de casar?
Lucas Então, eu sempre quis ir embora para o Japão. A gente conversou bastante, vimos que é um relacionamento forte e resolvemos casar aqui e ir morar lá. Por isso vamos fazer só uma festinha básica para juntar os amigos, porque estamos juntando dinheiro para viajar no ano que vem. Mas antes de ir, faremos também uma festa de despedida. Casaremos no dia 20 de julho.

Melissa: Eu conversava bastante com ele sobre a nossa situação, então a gente decidiu ir para o Japão. Vamos para lá trabalhar e montar o nosso futuro. Hoje eu estou bastante feliz porque, desde o nosso noivado, a mãe dele entendeu o nosso sentimento.

Como você imagina a vida a dois?
Lucas É uma nova experiência para mim, a gente faz os planos de casar e ir para o Japão, mas sabemos que não será só coisa boa, existem os problemas, as brigas, mas a união de nós dois nos dará força. Se você ama uma pessoa, sempre vai ter altos e baixos, então não é numa briguinha à toa que vai separar. O casamento é algo sério, que deve ser levado para a vida toda, porque você vai ter que planejar a vida, com filhos e netos, a educação dele. Este é um dos pontos que me faz querer ir para lá, porque a educação de lá é de qualidade. Eu tenho uma base do acontece lá, porque meus tios são de lá.

Melissa: Eu imaginava que isso aconteceria quando eu estivesse mais velha. No entanto, há cinco dias a nossa casa ficou pronta e já estamos dormindo lá, mesmo antes da cerimônia. Eu estou lidando numa boa. A única parte ruim é que agora eu estou desempregada e ele sai para trabalhar e fico sozinho e lá eu sempre tinha alguém para conversar. Além disso, agora a gente tem a responsabilidade de manter uma casa e isso vai desde a limpeza até as contas.

E como vocês se veem daqui a 10 anos?
Lucas Eu vejo a gente bastante unido, com a nossa casa, o nosso convênio médico, poder curtir a vida e dar uma educação exemplar para os nossos filhos, porque hoje aqui não tem mais isso. Então é uma vida estável para ela e os filhos.

Melissa: Eu pretendo ainda estar morando no Japão, mas com uma vida estabilizada. Pretendo cursar medicina veterinária lá, ter dois filhos. E estar trabalhando na área, porque agora eu vou trabalhar numa montadora de celulares e ele em uma de automóveis.

E o casamento nesta idade?
Lucas: Meus pais casaram-se aos 18 anos, mas eles oficializaram só 17 anos depois. Eu pretendo viver uma vida exemplar igual aos dos meus pais, com amor verdade, que eu acredito que exista, então quando ele vem nesta idade a gente tem que corresponder, porque ele iria vir cedo ou tarde, para mim veio antes.

Melissa: Todo mundo fica me falando que eu sou bastante nova e que vou me arrepender bastante, porque ainda não somos totalmente responsáveis e nem formados, mas eu acredito que com a força do nosso sentimento vamos passar por cima dos obstáculos, que existem em todo o tipo de relação.



 

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