Criando identidade - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           EDITORIAL

Criando identidade

Editorial

Os pequenos músicos da Banda Sinfônica Escolar do Cempre Professor José Limongi Sobrinho, do Botujuru, estão na final do Campeonato Nacional de Bandas e Fanfarras deste ano, em Aracaju (SE). No próximo dia 8, os estudantes, pela primeira vez, para a maioria deles, embarcarão num avião para representar Mogi das Cruzes numa disputa entre melhores bandas brasileiras.

Será uma jornada de significados: toda comunidade é impactada quando vê seus filhos serem reconhecidos pelo aprendizado, dedicação e empenho. Esses momentos lapidam a identidade de um lugar, um bairro. Na memória coletiva e afetiva do Botujuru, dezembro de 2017 ficará registrado como o mês em que crianças como a Ana Karoline Passos, de 11 anos, criaram “asas” pela primeira vez para representar o bairro, o pedaço de chão onde vivem, numa disputa nacional.

A “José Limongi Sobrinho” é uma das 17 escolas estaduais e oito municipais que apostam na música como meio de transformação humana. Um número que poderia ser ainda maior para multiplicar os resultados na atenção ao cidadão da geração Y, ou 2.0 e Millennial, como também são chamados os nascidos a partir do ano 2000.

Caracteriza em nasceu durante saltos contínuos dos avanços tecnológicos e da popularização da internet após a virada do milênio, o individualismo, a moradia no espaço urbano, a vida em ambientes de extrema competitividade, e a superficialidade do conhecimento.

Modernizar e construir uma escola atrativa e inteligente o bastante para reter a atenção desse novo público consumidor do conhecimento é desafio das gerações anteriores, responsáveis pela formação das crianças e jovens de hoje e do amanhã.

A música, um instrumento de aprendizagem com potencial para desenvolver o senso crítico e estético, tem sido de valia para muitos educadores. Essa expressão artística consegue unir o aluno e o professor dentro da escola, e também a família e a comunidade, num efeito dominó interessante para os avanços sociais.

Como acontece agora no Botujuru, quando pais e mães assistem ao voo solo dos filhos, numa experiência cultural positiva e enriquecedora. É algo além do holofote criado diante de um feito como esse, e usado por alguns, apenas para lustrar o ego. Esse tipo de vivência faz diferença na vida das pessoas, algo que observado nos ex-integrantes das fanfarras do Liceu e do Washington Luis, que até hoje falam sobre a força desse momento proporcionado pela escola.

Chegar a esse ponto não é fácil. Principalmente na escola da periferia, que necessita do recurso financeiro público para a compra de instrumentos e o pagamento de professores. Também conta a qualidade profissional de quem está na direção e na sala de aula para despertar na criança o gosto pela música e atuação em grupo. Isso dá trabalho, exige algo além do cumprimento do currículo.

Por isso, merecem o nosso reconhecimento todos os que estão dando ao Botujuru a oportunidade de escrever essa bela página da escola pública de Mogi.



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