Depois das águas... - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           MAURICIO DE SOUSA

Depois das águas…

Mauricio de Sousa

Uma cortina escura, cinzenta, pesada, desliza pelo céu em direção à terra.

Aqui e ali, riscos de prata recortam o chumbo do horizonte seguidos de um ribombo cheio de ecos assustadores.

As árvores mais frágeis, desprotegidas, já sucumbiram aos primeiros golpes do vento que chegou de repente. Agora, jazem por sobre praças, muros, automóveis e algumas casas.

Ainda há montículos de pedaços de gelo despejados lá do alto, logo após a grande ventania.

Mas agora a chuva cai forte, de esguelha, cobrindo o gelo, inundando jardins e ruas, ensopando quartos de janelas malfechadas, invadindo casas pelas portas esquecidas abertas e varando pelas fendas dos telhados mal-acostumados a essa violência.

Rostinhos de crianças assustadas encostam-se às vidraças.

Os mais velhos, principalmente mulheres, lembram-se de orar para Santa Bárbara, em busca de proteção contra os coriscos.

Outros, lembrando-se de velhas simpatias, cobrem espelhos para que não atraiam raios.

Desligam aparelhos elétricos e torcem para que a raiva do céu passe logo.



Enquanto os animais, cada um ao seu modo, tratam de encontrar um canto protegido até que o dilúvio passe.

E de repente, mais do que de repente, os pingos grossos e barulhentos como uma cachoeira são substituídos pelo silêncio de sua ausência.

E mais: raios de sol rompem pelos buracos de nuvens e douram a terra, os gramados e o alto das casas.

O calor volta e a tempestade, que já vai ao longe, vira assunto de comentários, conversas e alguns cuidados com a arrumação do que a água desarrumou.

Só falta o pessoal sair das conversas, dos comentários, das arrumações e aproveitar a estiagem para esvaziar todas as latinhas, pneus, vasos, bacias, da água limpa que sobrou ali.

Senão, o mosquito da dengue chega e…

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