Destemperança - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           EDUARDO MOREIRA

Destemperança

Eduardo Moreira

As pessoas aquinhoadas com melhor escolaridade e, por isso mesmo, detentoras de mais largos recursos de subsistência, ou aquelas que, independentemente, dessa melhor sorte, mas, por sua particular natureza tenham interesse pelo que diz respeito ao processo político lato sensu,com certeza têm  acompanhado as reportagens, debates, notícias e opiniões sobre as questões que envolvem o vergonhoso e triste caso de corrupção que infelicita a Petrobrás e só não a leva à falência porque, sendo uma estatal superprotegida pelo monopólio, no ramo em que atua, se confunde com o próprio Estado e, falência de um país, é coisa mais difícil, para não se dizer, na prática, impossível. Mas que, tanto a Petrobrás, quanto o Brasil, estão mais pobres, é coisa que ninguém duvida.

No entanto, essa parcela da população, que acompanha esses acontecimentos e pode discernir por si própria livre de influências, é, eleitoralmente, pequena e incapaz de, pelo voto, ver revertido o descalabro. A maioria da população eleitora é, ainda, muito suscetível à lábia dos políticos e às benesses dos detentores da caneta, símbolo do poder de concedê-las.

Apesar de estarmos assistindo a um momento de descrença em lideranças eleitas, a verdade é que esses sintomas podem ser alterados, porque o político é sagaz e acostumado a criar condições favoráveis a explicar o inexplicável, mistificando o eleitorado com o auxílio da fórmula que só os marqueteiros sabem manipular e, quando o eleitorado iludido percebe o engodo, a eleição já passou e a oportunidade real de interferir já se foi.

No entanto, e talvez para sorte geral do país, no que concerne ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma, ou os respectivos marqueteiros estão afastados, ou, apesar deles, os discursos estão um desastre. Ambos se destemperam ao tentarem explicar que as doações para o PT e para as campanhas deles dois são legais só porque registradas na Justiça Eleitoral, esquecem (ou fazem de conta que esquecem) que não se trata do mero registro e comprovação do gasto, mas sim, da origem do dinheiro que, ao que tudo indica é de superfaturamento pago pela Petrobrás com o beneplácito de um e de outra. Então se voltam contra o que chamam de “palavra de um delator, réu confesso, que não pode ser levado a sério”, ou, como ela diz: “Eu não respeito delator” e emenda “até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é”, como se se pudesse fazer esse paralelo. A presidente está perdidinha e achou que o empresário que nesta semana se serviu da lei que permite a delação premiada, que ela mesma sancionou em 2013, não passa de um Joaquim Silvério dos Reis, o traidor da Inconfidência Mineira. Mas, como foi dito na grande imprensa, esse “discurso afronta a história do Brasil e a inteligência do eleitor. Dilma não é Tiradentes, e o que seus aliados fizeram na Petrobrás nada tem a ver com a luta dos inconfidentes. Da mesma forma, as investigações da Lava Jato não guardam semelhança com os abusos dos militares.”.

Ao invés de explicarem se as doações estão ligadas a fraudes na Petrobrás (e em outros órgãos públicos) o ex-presidente e sua criatura, a atual presidente, só se afundam mais e mais no lamaçal de malfeitos e na destemperança.

Finalmente, porque reclamaram que mencionei que o momento é propício aos Joaquins da vida, por justiça e para por fim à celeuma, digo: cuidado, também, com os Eduardos, porque os há muito perniciosos e aptos à candidatura pelo vácuo de melhores líderes.

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