Estrategista - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           EDUARDO MOREIRA

Estrategista

Eduardo Moreira

Meu domicílio eleitoral é o da comarca de Mogi das Cruzes e, mais especificamente, o do município de Mogi das Cruzes. Assim, embora a vigência no país, quanto ao voto, seja o do sufrágio universal, isto é, antes de mais nada, a escolha é de todos e deve ser livre de qualquer tipo de pressão, portanto, secreta, isto não querendo dizer que tenha de ser de absoluto sigilo a ser obedecido até pelo próprio autor do voto, que estaria impedido de revelar em quem votou, vota ou votará. O eleitor só não pode fazer tal revelação no recinto da eleição, pena da configuração de propaganda em local onde, podendo influenciar outros eleitores, incorre na tal “boca de urna”. Mas, por diversas razões, muitas pessoas sabem ou, ao menos, têm uma quase que certeza do candidato que sufragamos, como, por exemplo, o meu voto, por ser eu sabidamente inscrito no PSDB, com muita razoabilidade imagina-se que recaia nos candidatos desse partido.

Não há qualquer presunção, no sentido de que vaidosamente eu me considere muito conhecido ou muito importante, não, nada disso, pois, minha filiação a esse partido se deu em apoio às pessoas que plantaram sua semente aqui em Mogi, entre as quais meu irmão, quando se candidatou à Prefeitura e o meu filho mais velho. Quem, a partir do conhecimento dessa filiação me vir votando, pode fazer o razoável juízo de que eu esteja a sufragar candidato do partido. Porém, não pode jurar sobre o verdadeiro sufrágio, que só eu mesmo sei. Esse o melhor gostinho do voto secreto, o fato do nosso exclusivo conhecimento do seu teor. A não ser que a urna eletrônica permita a ilegal e inconstitucional invasão dessa aguda privacidade.

Nas eleições gerais de 1994 e 1998, nas quais, Fernando Henrique Cardoso se elegeu e reelegeu, presidente da República, é bem razoável que quem me conhece, deduza que meus votos tenham sido a ele destinados. Mas, não foi assim. Na eleição de 1998, resolvi que ele não teria meu voto e não foi porque preferisse outro candidato, mas, tão somente, porque numa típica conduta eduardiana, eu queria diminuir o número de votos da sua esperada, e depois confirmada, grande votação, que o tornaria – e o tornou mesmo –, como que postulante a um reinado absolutista, que me fazia referir a ele como Dom Pedro III.

No entanto, mesmo no meu caso e com a postura radical acima revelada contra seu nome, é inelutável o reconhecimento de se tratar de um líder político quase que ímpar nesta quadra da vida brasileira, de que foi um notável chefe de governo e de estado e de que permanece, no quesito sagacidade político-partidária-eleitoral, uma verdadeira raposa, que é o que denota sua mais recente, curta e precisa declaração a serviço e em prol de seu partido: “Considero a presidente Dilma uma pessoa honrada (…) os desmandos começaram com Lula e dele é a responsabilidade”.

Independentemente, de se considerar FHC merecedor do nosso voto, o que dependerá sempre de resolução de cunho íntimo, forçoso é reconhecer a sua qualidade de estrategista político, pois, com essa simples frase ele mostra aos seus co-partidários – como é o caso de Aécio Neves que parece pensar que fazer oposição é dar porrada na presidente a torto e a direito – que, em primeiro lugar Dilma não é a adversária, por isso pode ser poupada, mas, Lula é o potencial adversário, merece e deve ser desnudado. Mais que isso, é o inimigo a ser abatido.

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