Magna Carta - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           EDUARDO MOREIRA

Magna Carta

Eduardo Moreira

Por mais que a pessoa queira ficar alheia ao andamento da política e dos políticos, isso é impossível, pois, equivaleria a alhear-se de tudo como só ocorre a quem esteja doente e amarrado a uma UTI. Assim, se nos regozijamos por estar em boa saúde, é inerente a esse estado, ser alcançado por todo tipo de noticiário, quer através dos meios de comunicação, seja lá qual for, quer porque no convívio social, queiramos ou não, as notícias são trazidas e elas têm sempre o condão de nos afetar.

Vai daí que por mais que se queira distância dos problemas do país, eles nos afetam, nos dizem respeito e, a menos que a natureza da vida nos imponha alienação, nós reagimos e metemos nosso bedelho em todo tipo de discussão política, englobando aí conteúdos de diversos matizes, principalmente econômico.

Passamos, agora, por um período, ao ver dos analistas políticos e econômicos, muito difícil. Por um lado, o prestígio da chefe do Executivo está  baixo, seu índice de aprovação é de um dígito (8%) e de rejeição é altíssimo, só comparáveis, desde que essas tomadas de opinião são feitas, aos de José Sarney pós plano cruzado e de Fernando Collor, sem dúvida o mais desditoso.

O entrelaçamento jurídico-político-econômico está difícil de ser compreendido pelos mais estudiosos e impossível de ser assimilado pela grande maioria das pessoas. A compreensão dos acontecimentos tem sido falha, em grande parte pela incerteza acarretada por constantes modificações nos fundamentos da ordem institucional e pela turbação da capacidade de entender como tanta corrupção tem podido ser tolerada.

Quando, nos anos 1990, última década do século passado, o Brasil enfim achou um ajuste para o já então assimilado permanente convívio com a inflação, o período de bonança que se seguiu pode ter dado a impressão de que o ajuste foi fácil e de que aquele tormento de as pessoas verem o dinheiro minguar antes que dele se pudesse ter proveito, jamais nos afetaria de novo. Mas, para nossa tristeza e, mais que isso, para nossa inquietação, a figura do cachorrinho correndo atrás do rabo, sem nunca alcançá-lo, parece voltar a ser símbolo da nossa desdita.

De novo teremos de encontrar um ajuste. Parece que, mais que nunca, um dos males a ser atacado é a corrupção, maior ralo por onde escapa o melhor da economia, por obra de exercício político desvirtuado e fundado num sistema jurídico falho, porque super instável e superficial, alterado com muita frequência e, parece, que só para atender individualidades.

A Magna Carta, que comemora oitocentos anos, é reconhecida como a primeira lei feita pelos homens para se colocar acima de todos, para garantir os governados contra desmandos dos governantes, sendo o embrião de toda e qualquer constituição nacional. E, passado tanto tempo, o Brasil, ainda não aprendeu a resguardar sua Carta Magna, vivendo sempre a amoldá-la a alguma específica vantagem. Como alhures referiu, pouco antes da morte, um líder político brasileiro: “Minha filha, nos quase dezessete anos em que governei o Brasil, nunca alguém me pediu algo que não fosse para atender interesse individual”.

PS.: O mais reverenciado capitão brasileiro de futebol, sábados a fio acompanhou sua esposa e uma filha que cumpriam estágio de advocacia na Faculdade Braz Cubas. Perguntei a sua esposa: “Por que ele fica quietinho no carro?” Resposta: “Ele não gosta de oba-oba, fica envergonhado”. Assim era o Zito, um majestoso jogador e um homem invejavelmente simples!

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