Mogi consegue aumentar em 2% o volume de reciclagem do lixo - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Mogi consegue aumentar em 2% o volume de reciclagem do lixo

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A meta desafiante é chegar aos 20% até o final do mandato do prefeito Marcus Melo (PSD).

A meta desafiante é chegar aos 20% até o final do mandato do prefeito Marcus Melo (PSD).

SILVIA CHIMELLO
Com a constatação do aumento no volume de lixo reciclado no Município, que subiu de 6% para até 8% nos últimos meses, a Secretaria Municipal de Verde e Meio Ambiente decidiu dar uma incrementada no Programa Recicla Mogi, a fim de melhorar ainda mais esses índices e atingir a meta desafiante de chegar aos 20% até o final do mandato do prefeito Marcus Melo (PSD). A nova ação será ampliar em mais um dia o serviço de coleta seletiva, que passará a ser realizado três vezes por semana na Cidade, incluindo a área central.

A novidade foi anunciada pelo secretário municipal do Meio Ambiente, Daniel Teixeira de Lima, que também decidiu ampliar a captação aumentando o número de postos de coleta, utilizando espaços em prédios públicos municipais, onde há grande circulação de pessoas para estimular a entrega dos materiais para reciclagem.

O secretário, que está entusiasmado com os resultados, explica que o aumento no volume de lixo reciclável foi registrado depois da instalação do terceiro Ecoponto pela Prefeitura, que inaugurou, em agosto um novo equipamento no Distrito de Jundiapeba. Para facilitar a entrega de materiais, as unidades também estão funcionando todos os dias, inclusive aos domingos e feriados. “Essa ampliação dos horários ajudou muito porque é na hora de folga que as pessoas fazem limpeza, faxina e tem tempo para levar os materiais para os ecopontos”, observa.

Até fevereiro deste ano o volume recolhido na coleta seletiva era de 175 toneladas de resíduos, mas a Secretaria começou a registrar o aumento a partir de março, fechando os últimos meses com 350 toneladas. Apenas o novo Ecoponto de Jundiapeba está recebendo cerca de 100 toneladas por mês. Na avaliação do secretário, os resultados são positivos, especialmente se considerar a crise econômica, que impacta diretamente na coleta de materiais reciclagem. A queda acontece na mesma proporção das atividades comerciais produtivas.

A ampliação dos dias de coleta deverá começar nas próximas semanas de forma gradativa, de bairro a bairro, trabalho realizado em parcerias com a empresa que responsável pela coleta, a CS Brasil, e a Rede Cata Sampa, que faz a reciclagem. Daniel explica que o serviço não vai ter um custo extra para o Município, já que o aumento da coleta seletiva provoca uma redução no volume de resíduos transportado para o aterro do município de Jambeiro, para onde é o lixo é levado atualmente. “Os valores são calculados de acordo com o peso. Se reduz o peso, caem as despesas no final do mês, por isso a meta é aumentar a reciclagem e reduzir cada vez mais o volume do lixo”, reforça.

Atualmente a Prefeitura repassa R$ 68 mil mensais para a Cata Sampa, como investimento no plano de apoio às cooperativas para a realização de um trabalho socioambiental. No total, com varredura, roçagem, reciclagem e transporte, o Município gasta cerca de R$ 4,5 milhões por mês.

Para ampliar a reciclagem o secretário explica que pretende envolver também os catadores independentes a partir de 2018. A intenção é implementar políticas públicas para traçar um perfil para conhecer melhor toda a rede que envolve esse trabalho paralelo. Ele pretende fazer um levantamento para entender melhor a cadeia de intermediários que existe na Cidade. “Queremos saber quem são esses catadores, quem compram esses materiais e depois para quem são vendidos. Acho que compreender é a melhor forma de avaliar a situação e buscar melhorias para essas pessoas. É preciso entender a dinâmica social e a economia que envolve isso. A partir dessa compreensão começaremos a fazer um estudo em todo o Município”, reforça.

Rede Cata Sampa
Para poder receber um volume maior de materiais reciclados, os representantes da Rede Cata Sampa destacam a necessidade de promover melhorias na estrutura do espaço onde é feito o trabalho dos cooperados, em Mogi, que atualmente opera no limite de sua capacidade. Os catadores defendem também a realização de campanhas de conscientização para facilitar o trabalho e melhorar o índice de reaproveitamento.



Segundo o coordenador da Cata Sampa, Roberval Prates Reis, a falta de espaço compromete o trabalho e impede a expansão das atividades e dos lucros. Ele explica que a situação só não está pior porque a Rede mantém parcerias com outras cooperativas que fornecem caçambas e maquinários para fazer a prensagem, pesagem e estocar os materiais na unidade de Mogi, na Vila São Francisco, em Braz Cubas.

Para aumentar a coleta em mais um dia por semana, o coordenador entende que o caminho deveria ser inverso, primeiro estruturando melhor a cooperativa. Ele sugere a instalação de uma nova unidade em César de Souza, e também defende uma correção nos valores repassados pela Prefeitura.

Ele explica que os R$ 68 mil mensais são usados para pagar 30 funcionários e bancar os cursos operacionais para vender diretamente às indústrias.

De acordo com ele, a Cooperativa tem potencial para ser lucrativa. Fatura entre R$ 30 a R$ 35 mil, mas hoje precisa usar esse dinheiro para cobrir a diferença de R$ 200,00 nos vencimentos dos 30 funcionários, que não tem reajuste desde 2015, pagar mais oito trabalhadores para completar o quadro, além de gastos com transportes e encargos. Também terceirizam parte do trabalho para separar o volume excedente.

Das 350 toneladas de lixo que chega da coleta seletiva, os cooperados conseguem reciclar cerca de 200 toneladas por mês. O resto é rejeito. O aproveitamento, segundo Roberval, poderia ser melhor se a população tivesse mais cuidado ao separar a sujeira do material, que hoje chega misturado com animais mortos, comida e outros produtos. “As pessoas deveriam pensar que por trás disso, têm trabalhadores tentando ajudar a melhorar a qualidade de vida da Cidade, que vão manusear esse lixo contaminado e sentir o cheiro desagradável”, reflete.

As cooperativas valorizaram os catadores e ajudaram muita gente nessa fase de crise econômica. Esse foi o caso de Rosangela Maria Pinheiro, de 42 anos, auxiliar de enfermagem, que cansada de procurar trabalho em sua área, recorreu à Cata Sampa e hoje se sente “muito orgulhosa em poder trabalhar para ajudar a salvar o planeta”. Ela conta que é separada e mãe de quatro filhos, e consegue sustentar a casa com o salário.

Regiane Oliveira Vilela, de 40 anos, trabalhava como empregada doméstica e decidiu partir para a reciclagem há cinco meses. Disse que já está engajada, defende campanhas de reciclagem e pede para as pessoas não jogarem lixo nas ruas.

A reciclagem como economia

Fabiana Maria Conceição relembra com muito orgulho a sua trajetória de catadora. (Foto: Eisner Soares)

Fabiana Maria Conceição relembra com muito orgulho a sua trajetória de catadora. (Foto: Eisner Soares)



Prestes a se tornar empresária do setor de reciclagem, Fabiana Maria Conceição, 36 anos relembra com muito orgulho a sua trajetória nessa área. Ela começou aos 16 anos, trabalhando como catadora no antigo lixão da Volta Fria, junto com a mãe e os seis irmãos. Agora está se preparando para montar uma empresa familiar de reciclagem para atuar em parceria com a Rede Cata Sampa, que hoje precisa terceirizar parte do serviço para aproveitar o material excedente.

Fabiana conta que foi do lixão que a família tirou o sustento até começar a trabalhar na Rede Cata Sampa, o que deu um salto na qualidade de vida e uma valorização maior aos profissionais dessa área, que sofrem com a discriminação.

“Nunca tive vergonha de dizer onde trabalho, desde a época do Lixão. Minha filha também chegou a brigar na escola por coleguinhas que diziam que a mãe dela era lixeira. Mas, ela reagiu de forma positiva, dizendo que tem muito orgulho porque a mãe dela trabalha com reciclagem e ajuda a preservar o meio ambiente”, relata.

Nos últimos anos, Fabiana fez vários cursos de capacitação para entender o processo, melhorar o resultado do trabalho e investir no seu próprio negócio. A exemplo dos colegas, ela também chama atenção para a necessidade de a população ter mais cuidado ao fazer a separação do material para que possa ser melhor reaproveitado.

Mesmo assim ela explica que o lixo da Cidade é muito rico e confidencia que já achou muitas coisas de valor, como no caso de um relógio, considerado uma relíquia, que guarda com muito carinho. Conta que as pessoas jogam fora geladeira, televisão, eletrodomésticos, celular, roupas, sapatos e muitas outros produtos que na opinião dela poderia até ser doado para instituições assistenciais. “Tem até cadeira de rodas jogadas no lixo, enquanto tem muita gente precisando”, reforça.

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