O artista e a rua - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
Fechar

           EDITORIAL

O artista e a rua

Editorial

Depois de capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, Mogi das Cruzes prepara regras para a atuação dos artistas de rua. A Câmara avalia o projeto de lei de autoria do Poder Executivo que prevê a regulamentação do uso de ruas, avenidas, parques, calçadas e feiras para apresentações culturais de circo, dança, capoeira, arte visual, literatura, poesia e outras manifestações populares.

A movimentação para estabelecer essas normas casa com o considerável crescimento do número de pessoas que passaram a se apresentar em pontos movimentados da Cidade, como os calçadões da Rua Dr. Deodato Wertheimer, nas manhãs de sábado e vésperas do recebimento de salários, e no trânsito de vias concorridas como a Avenida Narciso Yague Guimarães.

Músico, o secretário municipal de Cultura, Mateus Sartori, defende que o ordenamento servirá para garantir a valorização do artista que, se cumprir o estabelecido, segundo ele, não terá problemas com a fiscalização, e nem precisará solicitar autorizações especiais.

Caso seja aprovada, a lei proíbe uma cena comum na Cidade: a permanência desses artistas em semáforos e faixas de pedestres, um comportamento de risco para quem está se apresentando e de desrespeito com o pedestre, que se vê obrigado a disputar espaço na passagem dedicada, em tese, exclusivamente a ele.

Nesses lugares, a prática tem outro complicador porque torna lento do tráfego de veículos. Aliás, talvez em função da própria crise econômica, também cresceram os pontos disputados por jovens e adultos que aproveitarem o sinal vermelho para pedir esmolas ou vender produtos como panos de prato – algo que essa legislação não irá regrar.

Pelo projeto de lei ainda, em calçadas e em outros espaços públicos, o artista não pode impedir a livre fluência do trânsito e nem obstruir a passagem de pedestres. Há de se cuidar para que a lei não sirva de instrumento de perseguição aos artistas, mas estabelecer regras se fazia necessário.

O artista de rua merece ser preservado a partir de um bom entrosamento entre a comunidade e esse valoroso personagem da cultura em todo o mundo. Quem visita os melhores roteiros turísticos na Europa, costuma surpreender-se com a qualidade e o profissionalismo de atores, cantores e malabaristas que disputam a atenção do publico em mercados e praças.

A rua populariza a arte, o acesso à cultura e ao espírito de crítica, produzido por ela, e é o primeiro palco para a descoberta de talentos de variadas matizes. É assim desde que o mundo é mundo. Há de se cuidar para que ambos – o artista e a Cidade tenham uma boa convivência, o que significa dizer que um respeite o outro, como deve ser entre os que coexistem num mesmo espaço. Tomara que a lei consiga promover isso.

Compartilhe nas redes sociais...Share on LinkedInTweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someone