Sonho - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           EDUARDO MOREIRA

Sonho

Eduardo Moreira

O meu tema de hoje tem sido, recorrentemente, enredo dos devaneios noturnos que me ocorrem enquanto durmo. Desde há muito tempo, bem antes da cidade de São Paulo ter, por diversas razões, inspirado o surgimento de associações com o objetivo de proteger sua história, em protegendo seu patrimônio urbanístico, arquitetônico e paisagístico, tenho esses sonhos. Nos meus sonhos aparece, como que por encanto, um eleito que resolve se incomodar – como eu me incomodo –  com o estrago com que essa megalópole se auto devora e se recria depois, crescendo, crescendo sem parar e abandonando, sem nenhum carinho, pedaços dela própria, antes tão cuidados e prestigiados. Não desconheço que profissionais muito mais especificamente gabaritados para dar sugestões têm feito isso, mas, infelizmente, os agentes administrativos eleitos, que poderiam implementar o que se sugere, não se sensibilizam. Mas tenho a esperança que aquele eleito dos meus sonhos ainda surja.

De novo esse sonho me assaltou. De novo lembrei-me de uma reportagem lida na revista “São Paulo”, da Folha de S. Paulo, que trouxe duas reportagens sobre o Centro da Capital: uma sobre prédios na região central em abandono e outra sobre pontos – que incluem museus, teatros, escolas, restaurantes, bares, locais de compras, belvederes, mercados de flores, livrarias, sebos, bibliotecas, igrejas, marcos arquitetônicos, mercados de iguarias, etc – ao todo 85 sugestões de lazer turístico.

Há, portanto, ruína e vida. A ruína atrapalha, mas a vida indica que a recuperação é possível. Por impulso da leitura dessas reportagens meu sonho aflorou. Ele é simples. Já existem leis que permitem sua implementação. As linhas gerais indico e se perceberá que se está distante, apenas, por falta de vontade política. Tudo se resume em trazer para o Centro a administração de forma total. Todos os edifícios desocupados ou mal ocupados abrigariam as mais diversas repartições públicas estaduais e municipais e, muitos deles, ou já o são ou transformar-se-iam em moradia preferencialmente para os servidores públicos que, com suas famílias, pouco necessitariam de condução própria, porque deslocar-se-iam a pé, por metrô, ônibus circulares ou bicicletas.

A mobilidade tenderia a ser racional e fácil, até mesmo para os que, morando fora do Centro, a ele tenham que acorrer por motivo de serviço ou outro qualquer, através de transporte coletivo ou servindo-se de condução individual que seria estacionada em bolsões adrede concebidos, conforme o Coronel Fontenelle queria, há quase cinqüenta anos. Os detalhes serão cuidados por gente competente. Pela ideia nada cobro. E mais não digo porque não sei e porque o espaço não dá.

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