Um Brasil dividido - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           EDITORIAL

Um Brasil dividido

Editorial

Mogi das Cruzes, Poá e Guararema não instituíram o feriado municipal da Consciência Negra, criando uma situação inusitada na Região do Alto Tietê. As vizinhas, Suzano, Ferraz de Vasconcelos, Biritiba Mirim, Salesópolis, Itaquaquecetuba, Arujá e Santa Isabel, além da Capital, celebram a data que lembra a morte de Zumbi (1655-1695), herói da resistência contra a escravidão no período colonial, reconhecido como líder do Quilombo dos Palmares, que durou 60 anos e chegou a reunir cerca de 20 mil negros em Alagoas.

A celebração tem servido para vitaminar as lutas pela igualdade racial no Brasil. Não tratamos, aqui, do mérito de uma causa legítima, mas da impropriedade de a data ser comemorada num município, e num outro não.

Mogi das Cruzes sentiu esse problema no trânsito, que travou durante horas na tarde de ontem por causa do excesso de carros de outras cidades que voltavam do feriado que aqui não houve. Não seria a hora de Mogi também adotar o feriado?

Os municípios podem criar apenas até quatro feriados, além dos nove instituídos pelo governo federal em todo o território nacional. Em Mogi das Cruzes, essa possibilidade depende de uma mudança aventada em algumas oportunidades recentes, na Câmara Municipal, mas que não seguiu adiante.

O calendário mogiano possui os feriados de aniversário (1º de Setembro), da Padroeira, Santana, (26 de julho), Corpus Christi e Sexta-Feira da Paixão (que não são considerados como tais na programação nacional, e têm datas móveis, de acordo com as comemorações da Igreja Católica). Os demais são nove feriados nacionais e um estadual (9 de Julho)

Há um projeto de lei em discussão no Congresso Nacional de institui a data como feriado nacional. O problema é que a matéria obedece aos lentos passos da burocracia de análises e discussões enquanto aumenta o número de cidades, principalmente no Estado de São Paulo, que declararam o dia como feriado municipal.

Essa realidade acabou por criar uma grande divisão na vida administrativa e financeira no Estado e no País, com prejuízos para a economia e a rotina das pessoas. Repartições públicas e privadas, como bancos, correios, operadores financeiros, sentem essa dicotomia porque possuem sistemas e operações interligadas nacionalmente.

E o que dizer das perdas daquele cidadão que possui compromissos de saúde, emprego e estudo nas cidades onde todos os serviços permaneceram fechados ontem?

Por esses e outros motivos, uma alternativa seria a regulamentação para aquilo que a própria legislação acabou por criar: um Brasil também dividido durante as celebrações de uma parte de sua história que ainda não foi virada.



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